Pouco mudou desde o ano passado, o mundo continua a tentar lutar contra uma pandemia, continua a haver fome e guerra.
2021 até agora.
2020 quem diria.
Chegamos a meio do ano de 2020. Se aquando da passagem de ano tivessem-me dito como seria este ano, julgaria que estariam doidos, mas eis-nos aqui naquele que é sem dúvida um dos anos mais estranhos dos últimos tempos.
Começou com uma noticia sobre uma gripe que afligia uma região na china, mas aos poucos, foi crescendo e propagando-se pelo mundo até que chegou cá a este sitio no meio do mar aonde vivo.
Ao principio ninguém sabia exatamente o que fazer, havia algum pânico e desinformação. Algo novo havia chegado e que numa memória coletiva não havia precedente. Um inimigo invisível espalhava-se através das fronteiras usando as ligações deste mundo global para atingir todos.
Fomos aceitando a inevitabilidade, com isso durante uns tempos foi-nos dito para não sairmos de casa, evitar locais públicos, não estar no meio dos outros. Num instante, as pessoas estavam fechadas nas suas casas receando o inimigo invisível que atacava sem aviso.
Desde que tudo começou, falou-se numa vacina, mas só irei acreditar quando realmente esta aparecer, tanto quanto sei, podem nunca arranjar a vacina para prevenir a doença, ou, arranjar um tratamento para a mesma. O mais provável, é que esta situação se continue a arrastar por algum tempo e se nunca for criada uma solução, será um problema presente por muitos anos.
Seja como for, o que irá acontecer é que aquele mundo que conhecíamos e estávamos habituados nunca voltará a ser o mesmo, este foi e está a ser um momento histórico cujo o alcance e impacto ainda escapa na sua magnitude.
Mais um dia.
Mais um dia. Já nem ligo ao passar do tempo, simplesmente passa-me ao lado sem que o possa agarrar e atrasar a sua progressão.
O meu Alfie

Era um gatinho só no abrigo dos animais quando o vi pela primeira vez, ao contrário dos outros gatinhos que lá estavam, ele estava sozinho sentado no meio do cimento. Acho que foi esta a razão que escolhi trazer-lo comigo.
O tempo passou e o meu gatinho foi crescendo, mas sempre foi um pouco solitário, normalmente preferia estar no seu canto sossegado, ocasionalmente chamava por ele e ele vinha ter comigo para receber uns mimos, mas sempre dentro das suas regras, quando se fartava afastava-se, mas se achasse que queria mais lançava um miar mudo e quase inaudível.
Durante anos essa era a nossa relação, escolhia estar por perto, mas não demasiado, sempre um espírito independente mas que fazia-me sentir que preferia estar por perto e a aguardar a hora a que eu chegasse mesmo que fosse só para um curto período de iteração.
Veio para casa em 2006, nos anos que passaram foi o meu gatinho, sempre um solitário que escolhia a hora e o momento em que se aproximava, nestes anos todos, de certa forma éramos dois seres que ficavam por escolha perto um do outro, mas sempre com ele a ditar as regras de como interagíamos.
De todos os outros gatos que tenho, o único que lhe era próximo e com o qual tinha uma relação era o Ozzy que chamava por ele com o seu miar único e juntos muitas vezes dormiam no mesmo sitio partilhando uma amizade.
Em Novembro o Alf deixou este mundo, não há dia em que não sinta a sua falta, por vezes o seu amigo felino Ozzy mia como que a chamar por ele, só que sem a resposta habitual do miar mudo do Alf que ia ter com ele.
Infelizmente o Alf partiu e o meu mundo ficou mais triste sem ele… Adorava aquele gatinho, era aquele amigo que escolhia estar por perto só pela companhia e agora já não está mais cá.
Another year, same shit…
Mais um ano, mas muito mudou.
Já à algum tempo que nada escrevia, nem sabia o que contar. Desde da última vez que acrescentei algo a este blog, muito mudou, se calhar, eu mudei enquanto o resto era o mesmo que sempre tinha sido.
Depois de anos a trabalhar no mesmo sítio, finalmente fartei-me e vim-me embora, isto em Janeiro de 2018. Todos os dias era o mesmo, fazia o melhor que podia no meu trabalho, mas não satisfeito com isso, a besta do patrão que tinha ainda tirava tempo para menosprezar-me, quando não era a falar aos gritos, era a fazer piadas das quais só ele se ria e isto era todos os dias. Acho que era a forma que ele tinha de tentar sentir-se superior, quando na realidade ele de superior a mim só tinha o título. Vim-me embora numa segunda feira, nem havia chegado ao meio-dia e mais uma vez, ele armou-se em besta comigo, mas, teve azar, eu já estava farto de ter um homenzinho insignificante com complexos de autoridade só porque pagava um ordenado sentia-se no direito de tratar as pessoas a baixo de cão.
Só percebi o quanto de doido aquele sítio era, quando comecei a trabalhar noutro sítio, ali no meu novo trabalho as pessoas não gritavam umas com as outras, não havia insultos diários, era para todas as formas, um local normal. Infelizmente, esse trabalho acabou um ano depois quando a empresa fechou devido a dificuldades, mas, depois do inferno de 18 anos que havia passado, aquele trabalho era como um paraíso.
É dificil perceber o quanto uma situação é anormal, até estarmos no sítio normal.
Esta é a maior conclusão que tirei, que nunca devia ter estado numa casa de gente doida durante 18 anos, que desperdicei a minha vida e talento para servir um patrão que dizia que a palmada nas costas era aquilo que recebia ao fim do mês. Agora, ele que tente fazer metade do que eu fazia, boa sorte para isso.
Como acima mencionei, depois de 18 anos de loucura, arranjei um trabalho normal, o ambiente era óptimo e as pessoas cordiais, o melhor de tudo, apesar de ter sido só durante um ano, ocasionalmente ligam-me para falarem comigo, coisa que os ‘colegas’ do antigo sítio foram incapazes de fazer.
Após este trabalho ter encerrado, tive uns messes à procura de um novo trabalho, comecei recentemente noutra empresa que também é normal.
Agora ao menos acordo com vontade de ir trabalhar, porque agora quando me levanto para ir trabalhar, não estou a levantar-me para ir para um inferno.
As coisas que me deixaram tristes, neste espaço de tempo dois dos meus gatos faleceram, sinto a falta deles todos os dias, por vezes chego a casa e procuro por eles, mas eles já cá não estão. A gata chamava-se Mia, ela era a minha amiga que corria para mim sempre que me via e tentava estar sempre junto a mim, o outro era o Alf, que apesar de desde pequeno ser reservado, gostava de estar perto e a única coisa que me pedia era que lhe fizesse festas. Doí-me o coração todos os dias com as saudade deles…
Year in review and Karting.
Este ano foi mais um que passou. Mais um para adicionar à conta. Logo em Janeiro sou chamado para ser operado, era um coisa simples, mas só fiquei totalmente recuperado em Abril, vá lá, mesmo a tempo do meu aniversário, bela prenda…
Todos parecem fazer uma festa quando fazem anos, eu não, qual a razão que tenho para festejar o facto do número que se mede a idade está aumentar, se estivesse a ficar novo percebia a razão dos festejos, agora, não. Ficar velho é uma porra!
Na mesma altura, o Sol voltou aos céus, andei de moto bué. A GSR-750 é uma melhoria substancial em relação à RKV-125, o facto da GSR dizer “Made in Japan” diz tudo, e tem tudo lá. Numa recta, basta rodar o punho e ir metendo mudanças, quando se olha para a velocidade ela aumenta a um ritmo que só quem já acelerou algo do género percebe, por isso apetece-me rir quando perguntam a razão de ter algo que dá 250 à hora, se só posso andar à velocidade estabelecida, ou por desses 250 só ter chegado aos 190. A diversão daquela moto é acelerar e sentir o tiro que é.
A psiquiatra que me ouvia morreu. Da última vez que conversamos, sabíamos que era última quando nos despedimos. Era uma médica que eu pagava para me ouvir, mas ela escutava… e tenho saudades dela…
Descobri o mundo dos kart, testei num de um amigo e acabei comprando um kart. É divertido, não posso fazer na estrada o que faço ali. É fixe, a malta lá é simpática e quando se conduz aquele kart, na se tem tempo para pensar noutra coisa, quando não se está a correr com ele, passa-se algum tempo à volta dele com pormenores o que também distrai um bom bocado de tudo o resto. Basicamente é um passatempo em que preparamos uma máquina para correr, mas depois tempos de a conduzir… não sou lá muito bom na condução mas tenho melhorado, espero ir melhorando à medida que for aumentando o tempo ao volante.
Agora estamos novamente a chegar ao fim do ano, teve partes boas, partes más. O Sol brilha menos horas no céu, já não está tão quente, sente-se a escuridão e o frio, mas só mais uns dias e voltamos a ter o céu azul.
Estes últimos tempos alguns foram surpreendidos com tempestades que nos atingiram de forma pouco usual, mas essas tempestades são a expressão mais visível de algo que tem estado a formar-se a mais tempo e que quase de forma imperceptível tem-nos afectado pouco a pouco, o aquecimento global.
Por norma é dito que a terra irá aquecer e todos imaginam que isso se irá passar daqui a uns anos grandes no futuro e não se preocupam muito, a verdade é que já estamos a viver num mundo aonde o aquecimento global se instalou e se tem agravado nos últimos anos, a neves brancas do monte Kilimanjaro em África que praticamente desapareceram, os glaciares que tem estado a recuar a um ritmo nunca visto, a Gronelândia aonde a cada ano perde cada vez mais gelo, o pólo norte em que o gelo tem ficado menos espesso a cada ano e a Antárctida que em 2001 perdeu para o mar numa questão de semanas uma faixa de gelo equivalente a Rhode Island chamada Larsen B.
Os futurologista que descrevem o cenário de uma terra mais quente fazem-no sempre num cenário distante, mas as secas prolongadas, chuvas intensas e tempestades mais frequentes e intensas previstas para daqui a 50 anos já se verificam na actualidade, por isso como será de facto o futuro daqui a uns 50 anos realmente.
Infelizmente, mesmo que por alguma forma mágica todos deixassem de usar o petróleo amanhã não iria fazer qualquer diferença, os estragos já estão feitos e começaram com a era industrial e foram-se agravando desde então.
Num filme de 1999 alguém dizia que os seres humanos quando chegavam a um novo território que colonizavam, esgotavam todos os seus recursos aumentavam de número e quando nada mais houvesse para explorar simplesmente mudava-se para um novo sitio e que os únicos organismos com um comportamento similar eram os vírus, que a humanidade era uma doença, uma praga que afligia este planeta. Com um numero actual de 6 biliões de habitantes essa frase desse filme tem uma certa razão, somos demasiados, estamos a esgotar os recursos e pior, conseguimos destabilizar um planeta inteiro.
Resumindo, temos população a mais e uma terra cada vez mais quente, faz-me pensar num livro de Carl Sagan, Inverno Termonuclear, não seria a solução para ambos os problemas?
A dita ‘crise’.
Está nas noticias em todos os canais, a crise, esta coisa maléfica e invisível mas que nos afecta a todos, malvada sem rosto mas que nos mete as mãos ao bolso.
Mas exactamente o que é esta crise e como começou, será o rosto da mesma assim tão invisível? Intriga-me a ideia de alguém que mete a mão ao bolso e nem dou conta, por isso pensei sobre o assunto e cheguei a uma conclusão algo estranha.
A crise não começou agora, nem ao ano passado nem com a falência dos bancos, não por incrível que parece a crise começou com algo mais distante, a guerra do Iraque e a subsequente guerra no Afeganistão. Sim esses foram os motores que alimentaram a crise, porque o acontecimentos que desencadearam essas 2 frentes ofensivas também tiveram repercussões na economia que ficaram esquecidas, uma foi o súbito aumento dos combustíveis fosseis nos quais assenta a nossa economia, o impacto do aumento destes foi tão grande que de súbito aparecem como por magia carros híbridos e eléctricos como se estes fosse revolucionários quando na realidade poderiam ter sido feitos anos atrás. Depois disto veio o impacto nos custos de produção de todos os produtos acrescido pelo escalar do custo das duas frentes de combate, o resultado, os bancos arrebentaram porque estava-se a tentar passar uma imagem de normalidade quando a realidade era tudo menos normal, financiou-se duas guerras sem aumento de impostos, o dinheiro naturalmente tinha de vir de algum lado, quando as vacas secaram ‘bancos’, foi aí que se compreendeu que nada se havia aprendido com as lições do passado, e a bolsa caiu os mercados mergulharam na crise, desemprego e a impossibilidade de pagarem os créditos habitacionais no país envolvido no conflito foram apenas as últimas gotas de água necessárias a fazer uma economia cair e levar consigo todas as outras.
Agora estamos todos lixados, basicamente. Mas o que fazer, vamos continuar a ser prejudicados com as agencias de ratting a nos porem no lixo para depois no emprestarem dinheiro a juros mafiosos só para que lucrem com a nossa desgraça e consigam assim pagar as suas próprias contas, isto é o que se tem passado, o melhor truque de magia e fazer o público olhar para uma mão enquanto com a outra mudamos as cartas e isto é o que de facto tem-se passado, estamos a pagar o facto de alguém ter ido para a guerra e ter-se esquecido de aumentar os impostos para financiar a mesma.
A minha única preocupação é que a única referencia histórica a uma crise generalizada na Europa provocada pela queda de uma bolsa remonta aos anos 30’, e a solução que arranjaram, ou, como a coisa se resolveu… bem olhem para os jornais de 1939 a 1945….
Quarta-Feira.
Eis que chegamos ao marco de 50% da semana, ½ já está feita é o ponto em que o pior já passou, porque sejamos honestos, o pior dia da semana é sempre a Segunda-Feira, esta sim é definitivamente o dia mais difícil da semana, agora quando chegamos a meio já estamos a ter um vislumbre da meta, mas esta ainda está longe só mesmo quando a atravessarmos é que chegamos ao fim, é um pouco como correr uma distância, se pensarmos em demasiado que chegamos a meio caímos no erro de começar a ser pessimistas a pensar em tudo no que ainda falta esquecendo o quanto já percorremos e que de facto já estamos quase a chegar ao objectivo pretendido.
O truque é não pensar em demasia nisto tudo, a semelhança de percorrer uma distância, invés de ocuparmos a mente a pensar no quanto já andamos e no quanto ainda falta, o que temos de realmente de pensar é que temos de continuar, um passo de cada vez uma e outra vez, limpar os pensamentos de tudo que nada irá contribuir para atingirmos o objectivo e simplesmente colocar os pés no chão um à frente do outro.
Quando damos conta ou chegamos à meta pretendida, ou alguém chama a atenção e nos diz que já lá chegamos, o certo é que se pensarmos em todos os pormenores do ponto ‘A’ até ao ponto ‘B’ podemos até fazer o percurso, mas não iremos apreciar a paisagem por tão ocupados que estaremos com pormenores que nada irão contribuir para cruzar a meta.
Eu, bem sei qual o dia da semana porque olhei para o calendário, porque quando chegasse ao fim da semana sei que haveria de dar conta. Até lá tenho de aproveitar os segundos que tenho ainda por descobrir sem estar à espera deles, uma surpresa é mais agradável do que se tivermos à espera dela.
Aonde isto irá parar…
Vejo-me a questionar recentemente aonde isto tudo irá nos levar. Ao ver a notícias não deixo de me sentir alarmado, existe uma sensação de pessimismo latente em cada bloco informativo, parece que já nada de bom acontece no mundo, apenas coisas más e fico com a impressão que cada vez parece que tudo está a ficar pior como tudo que tão arduamente foi conseguido no século XX estivesse preste a cair por terra tal qual um castelo de cartas.
Fico com a ideia que vivemos tempos difíceis, falam da economia mas no entanto parece que esta também não é único mal que nos aflige, é como se o tecido base da sociedade esteja a rasgar-se aos poucos, com de tudo que se diz, apesar de tudo serem más noticias, na realidade exista algo ainda mais grave a passar-se com o mundo mas que ninguém parece ver tal como se tivéssemos a correr numa floresta no meio da noite, não me surpreende os ocasionais impactos com árvores no caminho, sabemos que elas lá estão mas no entanto parece que mesmo assim estão todos a correr entre elas com a ténue esperança que não vão-se espetar contra uma. Por vezes sento-me e questiono-me se não nos estão a esconder qualquer coisa, está este mundo todo a correr numa floresta à noite e ainda ninguém reparou e nos alertou para o facto que vai ser inevitável embatermos nas árvores.
Não sei qual a solução, mas também ninguém parece realmente colocar o problema tal qual ele é, parece que todas as semanas vai-se levantando um pouco do véu mas muito ainda está para ser descoberto.