07
Set
10

E o Verão foi-se.

           E assim
acabou o Verão, nada de especial como tantos outros antes. Mais uns dias e será
o Outono e assim por diante. Longe vai o tempo em que as épocas do ano tinham
um significado diferente, nessa altura o Verão era a época das férias grandes,
em que nada tinha de fazer e podia subir junto da chaminé da casa e ficar ao
olhar para os campos e o mar, era o meu canto durante este tempo, apesar de
aproveitar as férias e fazer outras coisas, gostava de lá estar a ver a
paisagem, uma vez em Agosto vi ao longe umas nuvens sobre o mar das quais saiam
relâmpagos, porem o céu sobre mim estava azul, só à noite aquelas nuvens
chegaram perto, mas nessa altura já estava em casa, provavelmente imerso no meu
mundo infantil, aonde uns cubos de Lego® podiam ser qualquer coisa, o então de
volta do agora já ultrapassado Sinclair® ZX Spectrum 48K a jogar aqueles jogos
que na altura era gravados em simples cassetes de áudio.

           Depois com
o Outono vinha a escola, por si só o Outono é deprimente mas juntar a ideia de
voltar à escola não ajudava, detestava a professora, mas provavelmente ela era
quem detestava-me mais, senão como seriam justificados todas as vezes que eu
era o escolhido para dar o exemplo de disciplina “-Paulo estica as mãos.” Dizia
ela mesmo antes de aplicar uma reguada com uma daquelas réguas Molin de plástico,
infelizmente para ela descobri como as partir, mas aí ela foi buscar uma que
devia ter guardada desde o tempo… bem sei lá era velha! Era de madeira e por
muito mais que tentasse nunca a consegui partir com o impacto, mas já nem me doía,
naquelas alturas só esperava pelo momento do impacto para levantar um pouco as
mãos com a esperança de aumentar a energia do impacto de forma a partir o raio
da régua, mas nunca consegui.

            O Inverno
era a chuva, principalmente a chuva durante muitos anos, depois de andar muitas
vezes à chuva habituamo-nos à ideia que já nem vale a pena correr, vamos acabar
molhados de qualquer das formas, havia também o mês de Janeiro e Fevereiro,
frios como tudo, era um frio que se sentia sob a pele da face, por vezes via-se
a serra de Santa Barbara coberta de granizo ou mais ao longe o Pico e as suas
neves, era uma altura em que era bom estar por detrás da janela observando como
as gotas da chuva se dispersavam ao colidirem com o vidro.

            A Primavera
começava sem me aperceber bem, as chuvas iam diminuído de intensidade o sol
brilhava mais alto no céu e o pouco a pouco a noite chegava mais tarde, quando
dava conta já estava a meio da estação e também quase de volta às férias de Verão.

            Agora as
estações, são apenas números num calendário que vai passando, de certa forma
perderam a sua magia que tinham, mais um dia, mais um mês, mais um ano.


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