01
Jan
07

Invisível.

 

    Oculto pela
obscuridade da noite eterna no fundo do oceano, movendo-se lentamente e em silêncio
o pesado submarino arrasta-se até ao seu destino. Sobre ele, à superfície reinam
os seus adversários, navios caçadores e aviação que têm como único objectivo
descobrir e afundar submarinos incautos.
    A atmosfera
está pesada da humidade dentro do submarino, as suas paredes de metal frias
como o oceano acumulam o vapor de água sobre si como uma segunda camada de
tinta brilhante, reflectindo o brilho diminuto das lâmpadas incandescentes. Entre
a tripulação impera o silêncio, apenas as indispensáveis frases são trocadas entre
a cadeia de comando. Todos sabem que acima deles está toda uma força à sua
procura, apenas a vantagem do silêncio os impede de serem destruídos, a monotonia
apenas é quebrada por um vago pingar de um sonar inimigo à distância, som de
conforto, pois se estão à procura é porque não sabem aonde estamos.
    Faltam
ainda muitas horas para a mudança de turno, no entanto todos de forma serena
tentam não consumirem em demasiado o oxigénio vital que ficou encerrado no
interior deste caixão de aço quando a escotilha foi fechada pela última vez. Resta
esperar que as baterias aguentem, que o nível de dióxido de carbono não aumente
e sobretudo, que os caçadores se cansem…   


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