03
Nov
06

Silencio rápido.

    

    Agora que mudaram a hora, vejo o dia de trabalho acabar com
a chegada da noite. Rodeada de mistério e mística, o espaço nocturno é um
espaço diferente contra a natureza do espírito humano ancestral, pois a noite não
é o nosso ambiente por excelência, somos criaturas diurnas, nossos olhos são praticamente
inúteis nas trevas da noite. E o que não se vê, deixa em aberto à imaginação o
preenchimento das lacunas dos sentidos.
    Quando saio
do trabalho tenho dentro do carro o meu espaço de quente conforto, com a sua
estrutura metálica tenho a minha blindagem e na mecânica motorizada tenho os
meus membros. À noite a minha fragilidade fica protegida pelo habitáculo e a
minha força expressa pela potência do motor.
    Na solidão
de uma estrada escura e sem transito percorro os metros que me faltam para o
lar. A estrada à semelhança da vida, torna-se no caminho do destino que tenho
de percorrer, mesmo que às cegas, tenho de seguir o meu caminho. Quando o faço,
desloco-me inevitavelmente só e na noite à semelhança da vida, desconheço o que
se esconde a seguir à próxima curva, mesmo assim, tenho de continuar porque
nada eu tenho a fazer a não ser seguir em frente.
    Entre cada
curva acelero na esperança de que a estrada passe tão depressa como o destino, desloco me só num
silêncio rápido.


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