18
Out
06

Pesadelo.

    

    Os sonhos podem ser classificados de duas formas simples,
insignificantes ou pesadelos. Hoje irei relatar um pesadelo que tive, apesar de
o mesmo não ter grande lógica associada ao mesmo.
    Começou
numa oficina de carpintaria, onde estava eu junto com mais que como eu
produziam peças sem significado ou objectivo, como se numa fabrica se tratasse,
tínhamos todos o mesmo uniforme cinzento e todos trabalhavam sem dirigir uma única
palavra, sob supervisão de um aparente capataz. Foi nessa altura que a minha
consciência se questionou sobre o que ali estava a fazer, mas continuei com as
tarefas aparentemente sem nexo e questionando-me sobre o objectivo de tudo
aquilo e o porquê de ali me encontrar. Com o som de uma sirene e de forma colectiva
e organizada todos largaram as ferramentas e dirigiram-se para a porta,
atrapalhado fiquei meio como perdido na organização de saída mecanizada, ao
cruzar-me com a porta de saída olhei para o capataz e notei que este tinha algo
de não natural.
    O exterior
era composto por complexos de onde também saíam os outros operários sobre
supervisão de uns outros tantos capatazes, num outro lado, havia da mesma forma
saindo de aparentes oficinas laborais mulheres.
    A comida
era servida igual para todos e da mesma forma imperava a separada entre escalões,
operários de um lado, capatazes do outros e os superiores a estes noutro, e no
fim havia uma mesa aonde estava uma personagem solitária. Não se ouvia um som
no ar, como tudo o resto até a refeição era mecanizada. No entanto esta separação
permitiu-me observar que ao longo dos estratos da cadeia de comando, havia
imperfeições físicas que culminavam com a personagem solitária quase ter um
aspecto desumano, quase monstruoso. Eu era o único que aparentemente tinha
levantado a cabeça e olhado em redor para observar a cena, também aparentava
ser o único a questionar a lógica de tudo isto.
    Chegou-se a
noite, apesar de não existirem luzes no complexo, o céu era iluminado pelo
brilho de lâmpadas de vapor de sódio com o seu brilho laranja característico a
ser reflectido pelas nuvens, afinal havia algo para além das colinas que
circundavam o complexo. Então da mesma forma como tudo resto se organizou, uns
avançaram para ir em direcção às luzes que vinham da cidade ali perto e de
alguma forma, sabia que iam trocar os objectos manufacturados por comida, ou
assim era o que era feito crer. À partida do grupo finalmente alguém pronunciou
umas palavras, era um aviso para terem cuidado com os humanos mas sobretudo com
o monstro.
    Dia
seguinte a rotina repetia-se, dia após dia até que sem saber vi-me incluído no
grupo que iria à suposta cidade, novamente as palavras de aviso do capataz que
aparentava ser acima dos que controlavam as oficinas, pois este tinha um grau
de mutação superior, aproximando-se do ser solitário que era o suposto líder.
    Estava já
no caminho quando nos deparamos com o monstro, no entanto ninguém parecia
querer correr ou ter medo e o monstro, era afinal o estagio final, era um ser
mais desumano do que o líder, era afinal o estágio seguinte e nós éramos a sua
suposta refeição…
    Foi aí que
o despertador tocou e o pesadelo acabou.


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