12
Out
06

Ansiedade.

    

    Torna-se difícil viver num clima de ansiedade, qualquer
coisa é suficiente para despoletar uma reacção, como se de uma alergia se
tratasse, ataca sem que esteja planeado.
    Quando se é
ansioso, tudo pode ser transformado num pretexto para motivar o despoletar de
uma crise. Por definição é a antecipação daquilo que está para acontecer, mas
todos se antecipam ao futuro, a diferença está nos pormenores, para quem tem
ansiedade não basta uma só ideia generalizada, uma só imagem ou possibilidade,
torna-se imperativo conceber todos os cenários possíveis para um dado
acontecimento. Por exemplo, ir ao Multibanco, algo comum à maioria dos mortais
e instintivo até nos dias que correm, mas para mim é um verdadeiro pesadelo de
pormenores, tudo porque tento visualizar exactamente todos os pormenores ao
ponto de visualizar as teclas gastas do teclado, o ecrã cansado da maquina e o
ruído das notas a saírem, agora pegue-se nisso e criem-se mil cenários possíveis,
desde a maquina não funcionar, ficar com o cartão, ser assaltado, haver um
sismo… enfim tudo que possivelmente pode acontecer será antecipado na minha
mente, por isso, detesto ir ao Multibanco. No fim, quando vou, torna-se uma
questão de introduzir o cartão, código e seleccionar a quantia a levantar, só
quando o dinheiro está no bolso e o cartão na mão respiro de alivio por ter
ultrapassado o desafio para o qual me havia preparado.
    Mas tudo
isto, à semelhança de um iceberg é só a ponta, um dia tem 24 horas e mil e uma
tarefas a serem feitas, todas são antecipadas, todas são visualizadas, todas são
vividas antes de acontecerem.
    Há quem
tenha definido o inferno como sendo um lugar ou estado. Para mim o inferno é
cada dia que passar ter de o viver mil vezes, cada acção poder despoletar mil
reacções é não fazer ideia do que irá acontecer e tentar preparar me para o
desconhecido, simular o futuro antes de chegar lá é ficar na ignorância do
porquê das coisas acontecerem sem razão aparente quando toda a lógica planificada
indicava um desfecho diferente.
    No final,
chega-se à conclusão simples, é irracional ser-se ansioso porque mesmo quando
parece que as coisas vão numa direcção, eis que tudo muda e ficamos…no meio do
mar sem terra à vista e sem perceber como lá chegamos. Sinto que abati o
albatroz e agora terei a agonia de ficar no meio do mar sem água e sem vento
para encher as velas.  


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