10
Out
06

Frustrante.

    

    Sair cedo mas chegar tarde, esperar pelo sol e levar com
a chuva, ser simpático com quem é antipático ou ser honesto e receber em troca
nada.
    Há muitas
coisas que me lixam neste mundo, maior parte delas relaciona-se com o facto de receber
em troca o que não quero, quando as minhas acções deviam despoletar o resultado
contrário. Sinto-me por vezes que tenho a minha nuvem pessoal a chover só sobre
mim, como se fosse minha obrigação carregar à semelhança de Atlas, o mundo nos
ombros. Estou cansado pois parece que para mim o céu está sempre nublado, as
minhas boas acções não valem nada e ser honesto neste mundo não traz nada de
bom.
    Deveria eu
tornar-me o que não sou, um manipulador da mente dos outros…era tão fácil dizer
exactamente o que se espera ouvir, ser-se quem esperam que seja. Mas tudo isso,
são coisas que não encaixam na minha pessoa, pois rejo-me por um código que não
foi escrito, por uma moral não conhecida e por princípios que só eu sei…
    A verdade
acima de tudo, honestidade com os meus princípios, dever ao que sirvo e honra.
    A paga…simples,
vivo pelo código que mais ninguém sabe, cumpro regras que ninguém conhece e comprometo-me
com o que acredito.
    No fim,
quando fecho os olhos e descanso a minha cabeça contra a almofada, resta-me a
certeza que fiz tudo conforme o meu próprio e singular código que obedeço.
    Passados
anos depois de adoptar esse meu código de conduta não escrito, descobri um mais
antigo com os mesmos princípios.     Neste caso, sete princípios:
    -Rectidão, coragem, benevolência,
respeito, honestidade, honra/glória e lealdade.
    A
diferença entre o que tento por em prática com filosofia de vida e o código ‘bushido’
dos samurais é pouca.
    Afinal de
contas prefiro viver de acordo com o meu código e pagar o preço por isso do que
viver sem código ou honra.
    Frustrante é
tentar levar uma vida correcta e moral, seguir princípios que no papel parecem
fazer sentido, e no fim deparar-me com tudo menos isso e sentir-me a agir só
num mundo que não conhece o que sou. Sentir-me a deambular só por entre um
deserto vazio.
    Sou um
monólito, ergo-me acima do chão, só sem companhia e sou uma rocha.


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