15
Set
06

Perigo diário.

    Dia-a-dia estamos perante a inevitabilidade da mortalidade. A
vida é na realidade um dom frágil, reflexo da própria fragilidade humana. Se à
um século o perigo era uma simples infecção ou doença, hoje a fragilidade é
exposta não tanto devido à inevitabilidade das doenças, mas sim devido à própria
inconsciência de cada um, especialmente cada um que se sente atrás de um
volante.
    Infelizmente
há todo um leque de condutores, desde os que se deslocam a ritmo de marcha fúnebre,
ou os que pensam que por colocarem assas e cenas do género julgam que
transformam um R5 num Ferrari. Enfim, é isso com que partilho a estrada.
    Quanto a
mim, também não sou exemplo para ninguém, não sou de acelerar muito mas gosto
de fazer as curvas de forma rápida, o meu gozo é gastar pneus nas curvas, ouvir
os guinchar provocado pelo atrito, sentir a aderência ao solo diminuir
proporcionalmente à velocidade, no final de contas, até eu tenho os meus
defeitos ao volante. Praguejo com os que não se mexem, com os que se esquecem
dos piscas ou mesmo aqueles que travam em todas as curvas. Afinal, todos têm os
seus pequenos defeitos atrás do volante.
    A questão principal
é porque a busca pelo perigo parece ser algo inerente à existência humana.
    Saber que
temos a própria vida nas mãos é a última expressão de liberdade, ao final de
contas a decisão acaba por ser nossa. É a liberdade que resta.
    Quando a
existência consciente se depara com a realidade da morte, tem duas escolhas, ou
opta por se agarrar a dogmas religiosos na procura de conforto, ou opta como eu
por uma visão ateísta, ou seja quando acabar acabou, não há mais nada.
    Sejam lá
quais forem as escolhas mais cedo ou mais tarde há quem se interrogue sobre a
escolha entre uma existência de sofrimento, ou outra hipótese. O problema é
quando através da religião a morte é descrita como uma transição para outro
espaço de consciência, paraíso, inferno ou nirvana…enfim algo que aparenta ser
melhor. Depois o que é que acontece, há aquele que acredita que ao por termo à
própria vida convence-se que vai para um sítio melhor… Agora para um ateu que vê a
morte como um fim definitivo a única vantagem aparente é a finalização da própria
existência, da própria consciência.
    Mas como
tudo há excepções às regras, falo dos aviadores Kamikaze, esses não colocavam
termo à sua vida por optarem irem para um sítio melhor ou terminar a sua existência
consciência, esses optavam por colocar termo à sua própria vida pela honra,
pela pátria e pelo imperador. Como era normalmente formados com escolaridade de
nível superior, tinham plena consciência que a guerra esta perdida, que o que
iriam fazer em nada alteraria o curso da guerra, no entanto saltavam para a
carlinga, ligavam os motores e partiram em direcção ao fim que já sabiam ser
irrelevante para o resultado do confronto bélico. A verdade é que optavam de
livre consciência a forma como terminariam a sua existência, terminavam com a
certeza que optavam pelo derradeiro sacrifício do guerreiro, seguiam o código
ancestral do samurai.
    Mas esse código
de honra, não servia apenas para os samurais, era bom que as palavras do código
bushido fossem aplicadas por todos.

1. GI – Justiça e Moralidade
Atitude directa, razão correcta, decidir sem hesitar;

2.YU – Coragem
Bravura heróica;

3.JIN – Compaixão
Benevolência, simpatia, amor incondicional para com a humanidade;

4.REI – Polidez e Cortesia
Amabilidade;

5.MAKOTO – Sinceridade
Veracidade total, nunca mentir;

6.MEIYO – Honra
Glória;

7.CHUGO – Dever e Lealdade
Devoção, Lealdade

    Afinal de
contas se todos nós seguíssemos estas regras, éramos um pouco melhores connosco
próprios e com os outros.

           


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