14
Set
06

Gatinhos

    Gatos, esses animais simples à primeira vista mas complexos
se os olharmos com atenção, individualista e senhores do seu nariz,
descendentes directos dos grandes felinos das savanas africanas.
    Tenho dois
que escolheram viver comigo, que quando querem pedem mimos retribuindo com o
característico ronronar ou então fazem o que quiserem sem que me peçam opinião.
São distintos nas personalidades, complexos na forma como agem mas simples nos
seus sentimentos que acabam por ser na sua essência reflexo do todos os
sentimentos comuns aos humanos, desde alegria à tristeza os gatos exibem de
forma pura o básico das emoções, inclusive quando decidem adormecer no nosso
colo é aparente a sua capacidade em sonhar, algo que dificilmente conseguimos reconhecer
devido ao nosso próprio egocentrismo primata que nos auto promoveu como seres
superiores a todos os outros.
    Não sei com
que sonham os meus gatos, gosto de imaginar que sonham com coisas boas ou
simples, mas que sonham e não seja amaldiçoados por pesadelos de como foram
abandonados quando eram apenas gatinhos, retirados de junto das suas mães e
abandonado no meio de uma estrada, caso da minha gata, que como se não bastasse
depois foi novamente abandonada à sua sorte novamente até eu a ter adoptado, ou
no caso do meu gato, retirado de junta da sua mãe colocado numa caixa de cartão
com os seus irmãos tendo ir parar ao uma jaula no abrigo dos animais.
    Gatos são
animais simples no final de contas, gostam de ser como são, se sentem
necessidade pedem-nos mimos ou simplesmente adormecem junto a nós, confiando na
nossa presença para os confortar e deixar relaxar os seus instintos de predador
e descansar num sono profundo sabendo que estão protegidos.
    Eu consigo
compreender na maioria das vezes os meus gatos, pois os seus sentimentos não são
ocultos por lógicas próprias ou imposições sociais, são sentimentos na mais
pura das formas.
    E nós,
primatas com grandes cérebros, auto intitulados de inteligentes e senhores do
mundo, afinal de contas porque raio agimos de forma tão complexa, porquê não
expressamos o que sentimos de forma clara, inequívoca, porque temos de deixar
que os sentimentos sejam toldados de forma dúbia e subjectiva, porque é que não
agimos e dizemos de forma directa o que pensamos, porque é que temos de mentir
afinal.
    Com toda
auto intitulada inteligência movemo-nos de forma egoísta, tentando colocar os
nossos próprios interesses à frente de o dos outros mesmo que para isso
tenhamos de usar a única coisa que mais nenhum animal tem, a ilusão.
    No final,
acabamos por levar vidas que são apenas uma ilusão.
    Era bem
mais simples se invés da complexidade intelectual as pessoas manifestassem os
seus sentimentos de forma clara como os meus gatos, sem margens para duvidas,
sem segundas intenções…sem que nós ficássemos no limbo tentando afinal
distinguir o amigo do inimigo, a verdade da mentira, o interesse do
desinteresse. Que quando se fartassem de nos aturar, fizessem como os gatos,
indo para um canto sem deixar margem para dúvidas.
    Talvez o
problema é que falamos demais, temos milhares de palavras, os meus gatos apenas
podem miar.

1 Response to “Gatinhos”


  1. 1 André
    14/09/2006 às 21:53

    Pois é, mas lembra-te que tb há gatinhos abandonados, gatinhos que aparecem estendidos na estrada, gatinhos que andam sem meias, gatinhos que não entram na universidade, e gatinhos orfãos… eheheheh


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