13
Set
06

Publicidade.

    

    Publicidade, essas promessas vãs desprovidas da totalidade
da verdade, reflexo apenas do parecer e não do ser. Produto de uma sociedade
consumista em que o investimento publicitário dita o que devemos comprar a
troco de uma promessa de superioridade passada a correr diante dos nossos olhos
no ecrã de televisão. Fruto de estudos de mercado e ciência complexa, a
mensagem é estudada de forma a atingir de forma inequívoca o público que é alvo
da mesma.
    Não há
forma como lhe fugir, como um predador perseguindo a presa, somo acossados pela
publicidade de forma implacável, quando nos julgamos a salvo eis que a mesma
surge sob um manto de inovação, atingindo-nos aonde menos esperamos. Desde de
apelar aos desejos mais profundos à fuga da rotina, a formula da publicidade é
sempre a mesma, por um preço, teremos um pouco da sensação prometida pelas
imagens e sons, deixaremos de ser o que somos no dia-a-dia para passarmos a ser
aventureiros, sedutores ou simplesmente o centro das atenções, passaremos a ser
a imagem que a publicidade nos promete, aquela que afinal de contas não somos.
    No fundo e
afinal, a publicidade joga com o eterno desejo humano de ser algo mais do que
vemos no espelho todas as manhãs.
    O problema,
ou melhor, a outra face da moeda é quando a publicidade consegue levar os seus intentos
avante, quando no final de contas transforma-se num ditador implacável de moda,
no exemplo obrigatório a seguir. Depois, temos aqueles que a cada campanha de
lançamento de um novo telemóvel correm para substituir o que haviam comprado
aquando da última campanha, ou pior ainda, temos o exemplo das adolescentes que
bombardeadas com ideias de beleza acabam nos quartos de hospital padecendo de
anorexia.
    A fronteira
entre a sugestão publicitária e a imposição da mensagem contida na mesma
tornou-se um conceito dúbio de difícil discernimento.
    Agora invés
de ser apenas um apresentação de um produto, a arte publicitária transformou-se
numa ditadura que nos impõe as suas ideias. Invés de potenciais consumidores a
ser informados, fomos sem que nos apercebêssemos disso, colocados numa posição
de escolha…estarmos com a tendência, ou de remar contra a maré.
    A navegar
contra ventos e marés, Bartolomeu Dias dobrou o cabo da Boa Esperança um certo
dia… Tenho a certeza que no dia seguinte, quando o mesmo se olhou no espelho
sorriu com um certo ar de satisfação, afinal de contas a publicidade ao Adamastor
não era assim tão correcta.

 

  


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