12
Set
06

No limiar da sanidade.

    Sanidade é o equilíbrio ténue entre uma mente são e uma em
continuo descarrilamento, é no final de contas um equilíbrio numa corda bamba.
Infelizmente neste caso o equilibrista não pode devido à perspectiva que tem
avaliar o seu desempenho, esse critério fica destinado à plateia que o observa à
distância.
    Solitário
no seu acto de equilíbrio na corda acima do chão, a sua mente apenas se
consegue focar em chegar ao outro lado, sem tropeçar e sem cair pois não há
rede para aparar a queda. É uma viagem da qual não se tem retorno, depois de
dado o primeiro passo à que continuar a seguir em frente, um passo de cada vez.
Mesmo que cada passo seja dado com confiança ou com receio, tem de ser dado,
mesmo que o fim da linha esteja fora de vista ou oculto pela neblina da
incerteza à que seguir em frente.
    Enquanto
isso, a plateia observa suspensa ao seu silêncio o desempenho do equilibrista,
receando que se proferirem um som podem fazer com que ele perca o equilíbrio e
caia, assim mesmo que esteja a caminhar na corda bamba balançando ninguém ousa
dizer nada, ninguém quer ter a responsabilidade de ser o culpado pelo descarrilamento.
    Passo a
passo, avança-se devagar, desconhecendo-se a avaliação de uma plateia muda e
distante, incapaz de proferir um som, agarrada à cumplicidade do seu silêncio
expectante, aguardando o desfecho do acto, uns ansiando por verem um deslize
outros à espera que o equilibrista chegue ao outro lado.
    Longe
disto, acima dos pensamentos da plateia e ignorando a existência da mesma, o
equilibrista tenta ter só um único pensamento em mente, chegar ao outro lado,
uma passo de cada vez, metro a metro, cada vez mais próximo do seu objectivo…mesmo
que se sinta parado no mesmo sitio a cada passo.
    Lá em baixo
a plateia observa, distante e alheia, deixando o destino do artista do
equilibro nas suas próprias mãos e em silêncio aguarda um desfecho a todo acto.
Mudos pela expectativa, deixam-no caminhar ao longo do arame, mesmo que
adivinhem o destino do mesmo, o silêncio cúmplice é mais fácil a ter de se
levantar, sobressair da multidão e gritar “Cuidado!”.
    No
isolamento do equilíbrio, balanceando-se entre o abismo e a salvação, passo a
passo solitariamente avança-se, desconhecendo-se o que a plateia observa,
ignorando se o equilíbrio pende para a queda ou para a glória. Só e isolado,
resta apenas o vazio seguro por um arame.
    Seja lá
como for, no final de contas, é a plateia que vota e que decide se o que viram
valeu a pena o bilhete que pagaram, se o espectáculo foi ou não do agrado
deles. No final de contas, tanto faz chegar ao outro lado ou cair no abismo,
por maior que seja o esforço, sempre serão os outros a avaliar o desequilíbrio.

 


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